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Oração tem mesmo o poder de atuar no cérebro? O que diz a neuroteologia | Brazil News Informa

Oração tem mesmo o poder de atuar no cérebro? O que diz a neuroteologia | Brazil News Informa

Por quatro dias, Roberto Farias Tomaz, 19 anos, ficou sem comida e sobrevivendo apenas com a água de uma cachoeira no Pico Paraná. Isolado, debilitado e sem saber quando seria resgatado, rezou e se apoiou em Deus para encontrar forças. 

Histórias como a dele encontram respaldo na neurociência: especialistas indicam que a fé pode provocar efeitos reais no cérebro, ajudando a manter o equilíbrio emocional, a esperança e a resistência psicológica em situações extremas.

Segundo o jovem, encontrado na terça-feira (6), os dias foram marcados por muita oração. Ele relata que pedia proteção e mantinha a convicção de que Deus estava ao seu lado, guiando e iluminando seu caminho. A neuropsicóloga Regina Maria Fernandes Lopes explica que rezar não apaga os problemas, mas ajuda a colocar a mente em ordem:

— Do ponto de vista do cérebro, a oração e a fé atuam como reguladores emocionais. A pessoa não vai fazer o problema ou a dor desaparecer com uma oração, mas vai conseguir ter clareza mental para lidar com isso. Porque se a pessoa está tranquila, consegue pensar com calma para tentar solucionar o problema. 

“Neuroteologia” é o campo multidisciplinar de estudos que busca compreender a relação entre o cérebro humano e a religião. O pároco da Catedral Metropolitana de Porto Alegre, Rogério Luís Flôres, relata que a aparição da neurociência nas pesquisas teológicas é recente. Atualmente, dezenas de autores escrevem sobre os efeitos positivos da fé para a qualidade de vida.

Estudos científicos ajudam a sustentar essa discussão, investigando de que forma diferentes práticas religiosas e espirituais atuam no cérebro. Há pesquisas realizadas com cristãos em oração, budistas em estados meditativos e com praticantes de rituais específicos. Apesar das particularidades, o ponto em comum é como a experiência da fé se manifesta neurologicamente e quais impactos pode ter no bem-estar psicológico.

— Represento a Igreja Católica e o cristianismo, mas em outras tradições religiosas também está comprovado os efeitos benéficos da fé para todo o organismo, ou seja, para a saúde mental e física. Não é só uma questão de busca pela salvação eterna, para estar no céu com Deus. A pessoa que reza, cultiva a espiritualidade, tem qualidade de vida, paz e maturidade — acrescenta o padre.

Pesquisas apontam que a religião pode influenciar o cérebro ao organizar a comunicação entre diferentes áreas neurais, fortalecendo sinapses ligadas ao controle emocional, à atenção e ao sentido de propósito, destacam os especialistas. Práticas como a oração tendem a ativar regiões associadas ao foco e à tomada de decisão, ao mesmo tempo em que reduzem a atividade de circuitos ligados ao medo e ao estresse.

Intenção é mais importante do que o conteúdo

Para os especialistas, a religião ou a relação de uma pessoa com a espiritualidade pouco importam. O essencial, sugere Pe. Rogério, é que a conversa com Deus seja íntima e sincera para que a fé possa amparar emocionalmente quem necessita e fortalecer a mente.

— Se você tem as fórmulas, consegue se acalmar e lembrar como rezar o terço, por exemplo, ótimo. Se não, vai conversar com Deus normal. Pedir proteção, calma. Até porque Deus está ali acompanhando o tempo todo. Então não precisa dessa mecânica, de fazer uma oração como o Pai-Nosso, ou de uma outra tradição religiosa, direitinha para que Deus, lá no sétimo céu, descruze os braços e escute. Ele sempre ouve — afirma o pároco.

A neuropsicóloga Regina enfatiza que a prática não funciona apenas para situações extremas, como a do jovem perdido no ponto mais alto do sul do Brasil. A fé pode ajudar a ter serenidade para enfrentar problemas do cotidiano, como o desentendimento com algum familiar ou uma dificuldade no trabalho, por exemplo.

— O que vai fazer funcionar, independentemente da religião ou da situação, é a fé. Se a pessoa não acredita em nada, surge um problema e começa a rezar, pode ser que não funcione tão bem para acalmar a mente quanto quando a espiritualidade já faz parte da vida anterior ao dilema. Mas não significa que não vai ser eficaz. Às vezes, algumas pessoas começam a ter fé a partir de uma situação difícil e se tornam bem espiritualizadas — defende Regina.

Fonte: gauchazh

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