Jovens desempregados pagam para frequentar escritórios falsos e 'fingir trabalho' em meio à crise na China | Brazil News Informa

Para esses jovens, os escritórios falsos funcionam como um refúgio para manter a disciplina e a rotina diária, evitando o isolamento que o desemprego pode causar.
Empresário que criou o serviço “Pretend To Work” após enfrentar desemprego e depressão, Feiyu diz vender "a dignidade de não ser uma pessoa inútil". Para ele, o projeto é um experimento social que busca preservar a respeitabilidade dos jovens em tempos difíceis.
Relatos como o de Shui Zhou, de 30 anos, ilustram o impacto do fenômeno. Após ter um negócio próprio fracassado, ele descobriu esses escritórios na rede social Xiaohongshu e diz se sentir mais produtivo e feliz depois que passou a frequentá-los, valorizando as conexões feitas com outros participantes.
— É como se estivéssemos trabalhando juntos em grupo — explicou à BBC.
'Finja até o fim'
Já Xiaowen Tang, recém-formada de 23 anos, usou o espaço para apresentar um falso estágio à universidade enquanto escreve romances online para complementar a renda. A instituição de ensino exigia a comprovação do estágio para entregar o diploma.
— Se vai fingir, finja até o fim.
Especialistas veem a tendência com olhar crítico, mas compreensivo.
O economista Christian Yao destaca que a prática reflete o descompasso entre o sistema educacional e as necessidades do mercado de trabalho, servindo como uma solução temporária para os jovens.
— O fenômeno de fingir que se trabalha é agora muito comum — afirma.
Embora a atividade seja, em essência, uma “mentira”, muitos jovens aproveitam o espaço para se preparar para desafios reais. Zhou, por exemplo, dedica parte do tempo no escritório para estudar inteligência artificial, buscando aumentar suas chances de empregabilidade.
O proprietário do “Pretend To Work” acredita que o verdadeiro valor da iniciativa está em servir como um ponto de transição. Um local onde os jovens possam recuperar a autoestima e, a partir daí, avançar para conquistas concretas no futuro.
Fonte: O Globo
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