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Médicos que atenderam apenas Bolsonaro por dois meses relatam calote| Brazil News Informa

Médicos que atenderam apenas Bolsonaro por dois meses relatam calote| Brazil News Informa

Pelo menos três médicos que prestaram atendimento exclusivo ao ex-presidente Jair Bolsonaro durante sua prisão no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (19º BPM), conhecido como Papudinha, afirmam que ainda não receberam pelos plantões realizados entre janeiro e março deste ano. Segundo os profissionais, os pagamentos deveriam ter começado a ser efetuados em fevereiro, mas, passados mais de quatro meses, nenhum valor foi depositado.

Os servidores da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) foram convocados para atuar em regime de Trabalho por Período Definido (TPD), modalidade de jornada extra remunerada utilizada para suprir déficits de pessoal e reforçar atendimentos. A convocação ocorreu após determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que ordenou assistência médica 24 horas ao ex-presidente.

Dois meses com Bolsonaro
De acordo com os relatos, os profissionais permaneceram por cerca de dois meses atendendo exclusivamente Bolsonaro, sem prestar assistência a outros pacientes durante os plantões. Um dos médicos, que pediu para não ser identificado, afirmou ter realizado oito plantões de 12 e 24 horas, incluindo períodos noturnos e fins de semana, acumulando aproximadamente R$ 15 mil a receber.

Os profissionais relatam que a rotina envolvia acompanhamento constante do ex-presidente ao longo dos 57 dias em que ele permaneceu preso na unidade militar. Segundo um dos médicos, a equipe realizava pelo menos três avaliações diárias e também monitorava Bolsonaro durante a noite.

“A gente atendia ele pelo menos três vezes por dia e até durante a noite, enquanto ele dormia. Inclusive, a gente caminhava com ele por medo de ele cair”, relatou o servidor. Além dos médicos, a equipe contava com um técnico de enfermagem.

Os atendimentos prestados ao ex-presidente chegaram a ser mencionados em despacho de Alexandre de Moraes que detalhava a rotina de Bolsonaro durante o período de custódia.

Problemas no registro da frequência
Segundo os médicos, a Secretaria de Saúde informou inicialmente que os plantões seriam pagos por meio do sistema TPD. No entanto, surgiram problemas no registro da frequência, já que os profissionais não tinham acesso aos mecanismos habituais de controle de ponto da pasta enquanto atuavam no batalhão.

“Eles informaram que o plantão seria no formato TPD, mas nesse formato a gente tem que bater ponto na SES. Lá no batalhão não tinha como. A gente assinava um caderno na passagem de plantão com o ex-presidente”, afirmou um dos profissionais.

Ao perceberem que os valores não haviam sido incluídos nos contracheques, os médicos procuraram esclarecimentos e foram orientados pela Subsecretaria de Gestão de Pessoas (SUGEP) a protocolar a documentação no Sistema Eletrônico de Informações (SEI). Mesmo após seguirem todas as orientações, os pagamentos continuaram sem ser efetuados.

Procedimento incorreto
Posteriormente, segundo os relatos, a SES-DF informou que o procedimento havia sido realizado de forma incorreta. Os profissionais contestam a justificativa e afirmam que apenas seguiram as orientações recebidas da própria secretaria.

“Não temos nada a ver com o erro. A gente só foi trabalhar porque eles falaram que iam pagar como TPD; se fosse só por banco de horas, ninguém iria”, disse um dos médicos.

Os plantões foram encerrados em 26 de março, quando Alexandre de Moraes concedeu prisão domiciliar a Bolsonaro. Desde então, os profissionais aguardam o recebimento pelos serviços prestados.

Procurada para comentar as denúncias, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal ainda não havia se manifestado até a publicação desta reportagem.

Diante da demora, os médicos afirmam que estudam ingressar com medidas judiciais para garantir o pagamento dos plantões realizados durante o período em que ficaram responsáveis exclusivamente pelo atendimento ao ex-presidente. As informações são do Metrópoles.

Fonte: Revista Fórum 

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