Cientistas criam casa com telhas e tijolos feitos de plástico descartado | Brazil News Informa

Novo protótipo de casa nas Filipinas usa telhas e tijolos produzidos com plástico descartado reforçado por tecnologia de radiação, sem radioatividade, e surge como alternativa concreta para reduzir a poluição por resíduos, cortar o impacto ambiental da construção civil e ampliar opções de moradia acessível para famílias vulneráveis no mundo.
Uma equipe de cientistas nas Filipinas apresentou recentemente uma casa construída com telhas e tijolos feitos a partir de plástico descartado, reforçados por tecnologia de radiação que aumenta a resistência do material sem deixá-lo radioativo. A estrutura demonstra, na prática, como resíduos de baixo valor podem virar paredes, pisos e coberturas de uma habitação completa.
O novo protótipo foi apresentado no fim de novembro, durante a visita inaugural do diretor geral da Agência de Energia Atômica, Rafael Mariano Grossi, às Filipinas, em uma demonstração oficial do Departamento de Ciência e Tecnologia e do Instituto Filipino de Pesquisa Nuclear. A ideia é usar o modelo como vitrine de uma solução que enfrenta ao mesmo tempo a poluição plástica e a falta de moradia.
Plástico descartado vira telha, tijolo e piso de casa
De acordo com o Departamento de Ciência e Tecnologia, o edifício é o primeiro residencial do país construído com componentes plásticos resistentes à radiação.
O Instituto Filipino de Pesquisa Nuclear converteu resíduos de plástico de baixo valor, como embalagens descartáveis comuns em mercados locais, em telhas, tijolos e outros elementos de construção.
Esses resíduos, que normalmente iriam para lixões ou cursos d’água, são processados para se tornarem materiais estruturais duráveis, capazes de compor paredes, pisos e telhado da casa.
A proposta é mostrar que aquilo que é visto como lixo pode ser reaproveitado em larga escala no setor de construção, um dos que mais consomem recursos naturais no mundo.
Como a radiação reforça o plástico sem deixá-lo radioativo
O coração da inovação é o processo chamado Extrusão Reativa Pós-Radiação, que aplica feixes de elétrons ou radiação gama aos plásticos já preparados para reciclagem.
A radiação modifica as ligações moleculares do material, criando conexões internas mais fortes e estáveis, o que aumenta a resistência mecânica das peças produzidas.
Segundo Carlo Arcilla, diretor do instituto, a radiação permite modificar a ligação dos plásticos, resultando em ligações mais fortes, sem que o material final se torne radioativo.
Na prática, o plástico tratado ganha desempenho superior, mas continua seguro para uso em ambientes residenciais, mantendo o padrão de segurança exigido para uma casa.
Solução realista para poluição e falta de moradia
Os cientistas destacam que a poluição plástica já afeta ecossistemas em todo o planeta. Plásticos de uso único costumam parar em aterros ou rios, quebrando-se em microplásticos que contaminam solo, água e cadeias alimentares.
Ao mesmo tempo, a oferta de moradia acessível permanece insuficiente em grande parte das cidades, especialmente em países em desenvolvimento.
Materiais tradicionais de construção, como cimento e tijolos convencionais, carregam um custo ambiental elevado em sua produção.
Ao transformar lixo plástico em insumo de construção durável e mais barato, o projeto busca aliviar tanto a pressão sobre o meio ambiente quanto o peso financeiro da construção de uma casa, abrindo espaço para programas de habitação social mais sustentáveis.
Ciência, negócios e mudança de mentalidade
Para o secretário de Ciência e Tecnologia, Renato Solidum Jr., o modelo de habitação mostra como aplicações nucleares e tecnologia de radiação podem ser usadas como solução inovadora e realista para reprocessar resíduos plásticos.
Ele defende também uma mudança de mentalidade em relação ao lixo: quando as pessoas enxergarem plástico como dinheiro, terão menos motivos para descartá-lo de qualquer forma.
As Filipinas se juntaram a outros oito países na iniciativa internacional Tecnologia Nuclear para o Controle da Poluição Plástica, que usa ciência nuclear para monitorar e reciclar resíduos, transformando-os em materiais de alto valor agregado.
Ao adotar esse protótipo de casa como vitrine, o país sinaliza que quer unir ciência, tecnologia, inovação e negócios para atacar de frente o problema dos resíduos e da moradia precária.
Do laboratório para a vida real
Além do impacto simbólico, os pesquisadores defendem que soluções desse tipo podem ser incorporadas a políticas públicas e projetos privados de habitação, especialmente em regiões com grande volume de resíduos e déficit habitacional.
Cada casa construída com plástico reaproveitado representa menos lixo no ambiente e mais famílias com teto e dignidade.
A população também pode participar do esforço global ao reduzir a dependência de plástico descartável dentro de casa, adotando produtos reutilizáveis e opções com menos embalagem.
Quanto mais plástico for desviado do lixo comum, maior será o potencial de transformar esse resíduo em novas construções, ruas e infraestrutura urbana.
Fonte: CPG
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