Publicidade

Projeto leva alegria para crianças em tratamentos cardíacos | Brazil News Informa

Projeto leva alegria para crianças em tratamentos cardíacos | Brazil News Informa

O ambiente colorido e repleto de brinquedos de diferentes tipos pode não ser o cenário que mais remeta ao ambiente hospitalar, porém, diante da necessidade de acolher crianças que precisam permanecer no hospital por um período prolongado, a brinquedoteca é palco importante de iniciativas como um projeto desenvolvido por uma equipe multiprofissional que acompanha pacientes pediátricos em tratamento de doenças cardíacas no Hospital de Clínicas Gaspar Vianna (HC). Nomeado de ‘Tempo Juntos’, o projeto busca tornar o tempo de espera pela cura mais leve e com memórias afetivas positivas não só para os pacientes, como para a família que acompanha a criança.

Há 23 dias acompanhando a pequena Luna, de um ano e nove meses, no hospital, Karen da Silva Lisboa, 31 anos, não esconde a ansiedade gerada a cada dia que a cirurgia cardíaca da filha fica mais próxima. Diante de tanta preocupação, a possibilidade de encontrar um momento de distrair o pensamento e sorrir junto com a filha é algo que não tem preço. “A minha filha está prevista de operar mais tardar terça-feira (10), então, participar dessas atividades é uma coisa que já distrai, tira aquela preocupação, aquela ansiedade que a gente fica”, avalia, ao acompanhar a animação da filha durante a interação na atividade proposta. “Ela amou. A gente só fica trancada no hospital, então, quando vem uma situação dessa que dá para distrair, que chama a atenção da criança, é maravilhoso!”.

A situação responsável por despertar sorrisos tanto na jovem paciente, quanto em sua mãe é uma das ações previstas pelo projeto ‘Tempo Juntos’. Através de rodas de conversa, brincadeiras, contação de histórias e outras atividades lúdicas, a iniciativa busca ressignificar o tempo que pacientes e acompanhantes precisam passar dentro do hospital, uma experiência, muitas vezes, nova e que impacta significativamente a rotina da família.

Integrante da equipe multiprofissional que desenvolveu o projeto, a psicóloga do Hospital de Clínicas Gaspar Vianna, Paloma Vanetta, explica que a ideia surgiu a partir das observações da própria prática diária de atendimento dentro do hospital. “Ele foi pensado muito na nossa prática do dia a dia e da reflexão sobre esse tempo que eles estão passando aqui hospitalizados: o que a gente pode fazer desse tempo, juntos?”.

Além das tarefas do dia a dia, que contemplam os atendimento beira-leitos e também atendimentos individuais, o projeto também desenvolve atividades pontuais em que são organizadas, por exemplo, rodas de conversa com os acompanhantes para se discutir temas diversos, alguns que surgem durante a própria conversa e outros que a equipe multiprofissional observa durante os atendimentos de rotina. Em outros casos, alguns profissionais de fora são convidados a fazer alguma atividade com os pacientes e seus acompanhantes, como foi o caso da contadora de histórias e arte-educadora Nanna Chorona, que tirou sorrisos da mãe Karen e da pequena Luna no último dia 05 de janeiro.

A psicóloga Paloma Vanetta explica que a ideia é aproveitar essas atividades para criar memórias afetivas positivas sobre o tempo que os pacientes precisaram passar no hospital. “A gente sempre está buscando coisas novas e diferentes para agregar esse tempo junto que a gente passa com eles, para que eles possam sair daqui mais fortalecidos, ressignificando esse momento de dor, de sofrimento diante de uma doença”, considera. “Tempo Junto nada mais é do que uma proposta dar sentido a tudo isso que eles estão vivendo. Para muitos é tudo muito novo, o fato de ficar hospitalizado por um longo período, onde a condição do seu filho é uma condição em que muitos vão precisar passar por cirurgia ou procedimentos como um cateterismo, mas a gente busca trazer leveza e fazer com que eles saiam daqui com memórias afetivas positivas de tudo isso que eles estão vivendo”.

Do ponto de vista da terapia ocupacional, o momento também é o de observar possíveis demandas que, algumas vezes, podem não ficar tão claras no leito em decorrência da própria tensão natural das crianças diante da internação. “A Terapia Ocupacional trabalha com a ocupação e a principal ocupação das crianças é o brincar, então, é através do brincar que a gente consegue observar demandas: se tem atraso motor, se falta de coordenação”, explica a terapeuta ocupacional que integra a equipe do projeto, Allaynne Farias. “Como a gente viu que as crianças estavam ficando muito ociosas aqui porque teve um período que elas prolongaram, algumas crianças ficaram por até três meses aqui, e a gente pensou em fazer um projeto inicialmente para as férias de julho”.

Diante do efeito positivo causado pelas atividades não apenas nas crianças, mas também nos responsáveis, a equipe decidiu prolongar o projeto e nomeá-lo de ‘Tempo Juntos’. “Especialmente falando da Terapia Ocupacional, é o momento que eu uso para avaliar elas, analisar quais são as demandas que eles trazem. Quando a gente passa no leito, às vezes, a criança está assustada, então, é aqui que eu consigo construir um vínculo maior com elas”, considera, ao apontar a maior interação também entre pais e filhos. “Quando a gente traz a criança para fazer o Tempo Juntos também é para trabalhar esse brincar entre pais e filhos, essa socialização, construir um vínculo que nem sempre é tão fortalecido. Então, no momento em que a gente propõe um quebra-cabeça, não é simplesmente montar um quebra-cabeça, mas é construir uma parceria entre o pai e filho, mostrar que eles estão juntos”.

Allaynne Farias explica que os pacientes atendidos pelo projeto são crianças de diferentes faixas etárias, desde meses de vida até 12 a 13 anos de idade, que entram para a internação para tratamento de algum problema cardíaco. Em alguns casos, elas precisam passar por procedimentos como um cateterismo, cujo tempo de internação demandado é menor, porém, em outras situações é necessário que os pacientes passem por cirurgia, o que demanda um período prolongado de internação em decorrência da necessidade de se fazer todo o preparo para a cirurgia. Além desse período anterior, a equipe também acompanha as crianças no pós-operatório, quando elas retornam da UTI. Dessa forma, o tempo de internação depende muito da demanda de cada paciente e de como ele responde ao tratamento, mas há casos de crianças que já estão internadas no hospital há cerca de um ano. “A gente sabe que a gente não vai conseguir fazer com que essa situação toda não seja dolorosa, mas a gente pode fazer com que seja o mínimo possível”.

Diante de tantas demandas, o projeto também busca abranger também o acesso aos direitos que as famílias possuem diante de situações como essas. A assistente social da clínica pediátrica do HC e que também integra o ‘Tempo Juntos’, Maria Geisse Cordeiro, aponta que o trabalho desenvolvido pelo projeto também envolve o tema da cidadania. “A gente fala sobre o acesso aos benefícios sociais como o BPC, o TFD (Tratamento Fora de Domicílio), algumas crianças também precisam utilizar fórmulas nutricionais, então, dentro dessas ações a gente faz a orientação de como essas famílias podem ter acesso aos serviços não só no âmbito estadual, como municipal também”, aponta. “Então, a gente vem trabalhando também para trazer a cidadania dentro do contexto da política que abrange a criança. O projeto visa trazer uma sensibilização das famílias no cuidado com a criança”.


Postar um comentário

0 Comentários